Enviado por Elisa.
Don’t wait for Mother Nature
Enviado por Elisa Mendes.
enviado por Elisa Mendes.
Promissória ao Bom Deus
José Paulo Paes [In: Socráticas]
Não te amarei sobre todas as coisas, mas em cada uma delas, por mínima que seja. É o que compete aos poetas fazer.
Não tomarei teu nome em vão, mesmo porque nome é coisa séria. Inclusive os feios que, ditos por dá cá aquela palha, perdem muito da sua eficácia.
Guardarei os domingos e quantos dias de festa houver, que ninguém é de ferro, como descobriste no sexto dia da criação.
Sempre honrei pai pela paciência e mãe pela ternura com que me aguentaram, a não ser por dois ou três cascudos tão a contragosto que mais pareciam carícias disfarçadas.
Só matarei no sentido figurado da palavra — matar o bicho, matar o tempo — por mais forte que seja a tentação do sentido próprio durante o horário eleitoral gratuito.
Não pecarei contra a casta idade assim que lá chegar, por enquanto estou só a caminho, Senhor!
Não furtarei, salvo se se tratar de uma boa idéia ou de um adjetivo feliz que possa trazer um pouco de brilho à minha fosca literatura.
Não levantarei falso testemunho de ninguém, muito menos de ti, que hás por certo de preferir um agnóstico fora do teu templo a um vendilhão dentro dele.
Não cobiçarei coisas alheias. Deixo-as todas para os filisteus do meu país, fascinados pelas quinquilharias do que, enchendo a boca, eles chamam de primeiro mundo.
Não desejarei a mulher do próximo nem a do remoto. Como sabes, jamais tive paciência de esperar na fila.
Em suma, Senhor, vou fazer o humanamente possível para seguir teus mandamentos. Mas desculpa, agora e na hora da nossa morte, qualquer eventual escorregão nas cascas que o diabo espalhou a mancheias pelo nosso caminho depois de ter comido todas as frutas do teu, para sempre perdido, Paraíso.
[Enviado por Rebecca]
Há um vilarejo ali…